domingo, 4 de setembro de 2011

Nasce o segredo

Era um dia como outro qualquer para muitos, para Simone era um dia especial. Após quarenta e duas semanas carregando um tesouro, tudo indicava que o segredo seria revelado. Acordou às nove horas de uma manhã ensolarada de janeiro, era o vigésimo sexto dia do ano de 2002. Ao acordar, sentiu um incômodo no baixo ventre, uma leve dor intermitente. Lembrou-se: ainda não comprei a banheira.

Concentrou-se em colocar o incômodo e a dor crescente trancados num canto de sua mente. Levantou-se e preparou o café. Tudo o mais estava arrumado: quarto, berço, lençóis, carrinho, mala, etc. Faltava a banheira, lembrou-se novamente.

Acordou o amor, comunicou que o café estava na mesa e que o curso da vida gritava em seu ventre. O amor se assustou, mas ela o acalmou, dizendo que tudo estava bem. Apressou-se em verificar as trancas no canto de sua mente.

Tomou o último café da manhã calmo ao lado do amor e saíram para comprar a banheira. Na loja, a horda de desconhecidos se aproximava. Queriam tocar o protuberante abdômen, declamar profecias e ditar receitas infalíveis. Ela somente tinha dois desejos: sentar e a banheira; e não necessariamente sabia a ordem dos desejos.

Saíram da loja para a Maternidade. A dor foi pungente. A criança estava enrolada em seus cordões. Duas voltas no pescoço. Mas, tudo bem. Às quinze horas e doze minutos, nasceu Luiza, mamãe e papai.

Autor:
Simone da Silva Figueiredo
(escrito em:27/08/2011)

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